Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características
psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada
capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza,
curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm
grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem
experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma
determinação feroz e extrema coragem.
(...)
Antigos anatomistas falavam de o nervo auditivo dividir-se em três ou mais
caminhos nas profundezas do cérebro. Eles concluíram que o ouvido devia, portanto,
funcionar em três níveis diferentes. Um deles seria o das conversas rotineiras da
vida. Um segundo seria dedicado à aprendizagem e à arte. E o terceiro existiria para
que a própria alma pudesse ouvir orientações e adquirir conhecimentos enquanto
estivesse aqui na terra.
(...)
No sudoeste dos Estados Unidos, ela é também conhecida como a velha La
Que Sabé, Aquela Que Sabe. Ouvi falar pela primeira vez de La Que Sabé quando
morava nas montanhas Sangre de Cristo no Novo México, sob a proteção do Pico
Lobo. Uma velha bruxa de Ranchos me disse que La Que Sabé sabia de tudo sobre as
mulheres, que La Que Sabé havia criado as mulheres a partir de uma ruga na sola do
seu pé divino. É por isso que as mulheres são criaturas cheias de sabedoria. Elas são
feitas essencialmente da pele da sola do pé, que tudo sente. Essa idéia de que a pele
do pé tem maior sensibilidade me soou verdadeira pois uma índia aculturada da tribo
kiché uma vez me disse que só havia calçado seu primeiro par de sapatos aos vinte
anos de idade e que ainda não estava acostumada a caminhar con los ojos vendados,
com vendas nos pés.
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