domingo, 27 de fevereiro de 2011

é.


Gillian sabia que essa discussão conduziria. Começava a viver com alguém e, antes que percebesse, estava se casando, e essa era uma condição humana que Gillian planejava não repetir. Nessa arena, ela era um tanto pé-frio. Logo que dizia ''eu aceito'', sempre se dava conta de que não aceitava de forma alguma e que nunca havia aceitado, e que era melhor ir embora depressa.

- Não compreende? - disse Gillian a Ben. - Se não o amasse, eu me mudaria hoje. Não pensaria duas vezes.



Na verdade, ela tem pensado nisso desde que o deixou e continuará pensando nisso, se quer ou não. Ben não compreende o quanto o amor pode ser perigoso, mas Gillian certamente compreende. Tem perdido nisso vezes demasiadas, para recostar-se e descontrair-se. Tem de permanecer de olho e tem de permanecer solteira. O que realmente necessida é de um banho quente, um pouco de paz e sossego. (...)
O quarto está tão escuro que Gillian leva certo tempo para se dar conta de que o monte sob os cobertores é de fato uma forma de vida humana. Se há algo que Gillian conhece é, autocomiseração e desespero. Pode fazer esse diagnóstico particular em exatamente 2 segundos, já que ela própria esteve com isso cerca de mil vezes, e também conhece o remédio. Ignora os protestos das meninas e manda-as para a cama, em seguida vai á cozinha e preparada uma jarra de margarita.

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